Siga 5 passos para definir as metas corretas, maneje os chamados "paradoxos verdes" e, por fim, enfrente o desafio ESG da inteligência artificial
O verdadeiro charme das pessoas reside nos seus traços de loucura. As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas.” Essa frase, do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), veste como uma luva esta edição da Review, a primeira de 2024. Ao menos, tive essa impressão, e o leitor pode acompanhar meu raciocínio e dizer se concorda ou não.
A hipótese que trago aqui é que a afirmação vale para pessoas jurídicas também e que os traços de loucura – ou sacudidas de gaiola –, nesse caso, são todas as ações que não visam aumento de lucro, como são as ações de sustentabilidade em geral. Michael Porter, que tem meu respeito, que me perdoe – e, como o entrevistei, sei que ele faria cara feia ao ler isso –, mas nem toda ação ESG (de responsabilidade ambiental e social) permite criação de valor compartilhado. Quase todas fazem bem ao negócio no final ao impactar positivamente reputação e marca, e aí vendas, mas… durante o processo? Não é preto no branco. A questão, bem cinzenta, tem a ver com valores morais da liderança e dos acionistas. (Além de incentivos do governo.)
Em 2025 o Brasi vai sediar a COP30 e estaremos sob todos os holofotes nessa área, inclusive porque somos candidatíssimos a liderar (ou coliderar) a economia verde. Isso e mais todos os desastres ambientais que estamos vivendo (você viu os incêndios no Pantanal e no Chile, certo?) tornam o conteúdo de capa desta edição obrigatório para os gestores brasileiros, com um olhar eminentemente estratégico sobre sustentabilidade, mas o olhar moral presente o tempo todo. Falamos de metas ESG (que é um terreno bem pantanoso), dos tais paradoxos que todos adoram ter na cabeça, dos impactos negativos que a inteligência artificial gera nessa área (sobre os quais todo mundo anda preferindo calar) e da Vale, outro assunto polêmico, que não sai das manchetes dos jornais pelos interesses do acionista governo na sucessão do CEO.
Faz tempo que estávamos preparando o case e a conversa com o CEO da Vale, ambos a cargo do especialista em inteligência artificial Alexandre Nacimento, e resolvemos manter a publicação em meio a toda a incerteza, porque tem muito a ensinar a respeito de olhar estratégico e moral para sustentabilidade. Outro tema estratégico e moral, aliás, é diversidade, e nosso artigo de nudges pró-diversidade é leitura obrigatória aí. E, por fim, fico feliz de dizer que estamos sacudindo as gaiolas do setor de saúde para falar de healthcare em forma de varejo, no artigo de Norberto Tomasini, da NTT Data Brasil. Abraços e um ótimo 2024!
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