O irmão do Elon Musk conta que ele lia dois livros por dia. Não sei se é verdade, mas eu e Pedro (Nascimento, nosso CEO) estamos na corrida para ler metade do que Bill Gates lê por ano: 25 livros (Gates lê 50). O bom é que, se considerarmos os artigos desta revista, que são como livros só que bem objetivos, vencemos Gates – mas isso sem incluir, é claro, a leitura da MIT Sloan Review por ele… risos.)
Perdão pelo “small talk” introdutório, mas chegamos à última edição do primeiro ano de vida da MIT Sloan Review Brasil e estamos em festa! Trago para reflexão um conceito explorado num livro, Escravidão, de Laurentino Gomes, o primeiro de três volumes e minha principal leitura atual. Gomes cita a africanista Irene Gala, segundo a qual há três tipos de olhares para os negros ex-escravos no Brasil: os olhares negros (que veem esses negros como protagonistas na história), os olhares brancos (que realçam o papel dos brancos) e os olhares atentos. Estes “assimilam a complexidade” dos outros dois e se dispõem a “oferecer uma compreensão mais ampla e sutil das relações Brasil–África”.
Definição similar pode se aplicar, creio, ao que buscamos fazer na MIT Sloan Review, respeitosamente guardadas as proporções. Há os olhares dos gestão, os olhares da tecnologia e há o olhar atento, nosso, que destaca o sutil emaranhado desses dois campos.
Esta edição, página após página, valida a tese. Tome por exemplo o Report especial “Colaboração de alto impacto”. Não consigo pensar em nenhum esforço gerencial que supere o desafio de fazer pessoas diferentes trabalharem bem juntas. O “team Tecnologia” acha que basta incluir tecnologia e ignora as nuances. O “team Gestão” sabota a tecnologia, ao usá-la de modo raso e ineficaz, ou a trata como inimiga.
Porém há um caminho do meio que os autores do nosso Report mostram, incluindo os brasileiros Érica Isomura e Fábio Betti. Um segundo exemplo é o artigo de Boanerges Ramos Freire e Vítor França, que analisa a disrupção dos serviços financeiros do Brasil, da China e dos EUA.
O olhar tech enxerga fintechs nos resgatando de todos os vilões, o olhar gerencial aposta no domínio perpétuo dos incumbentes, e este artigo mostra que não é nem lá nem cá. E, sem dúvida, a dark web, conforme texto da página 46, só se entende (e combate) com um olhar atento: é gerida como uma empresa que tem marketing, RH etc., e também é altamente tech. Se o ditado africano ensina que “até o leão aprender a escrever, a história exaltará a versão do caçador”, esta revista, o hub digital e os eventos querem “alfabetizar” leões em olhar atento.
Os vários artigos a seguir contribuem muito para isso, entre os quais “Construindo uma organização eticamente forte”, premiado como o melhor artigo de 2019 pela MIT Sloan Review norte-americana, e a entrevista que fizemos – Pedro e eu – com Michael Schrage, pesquisador-sênior da MIT Sloan School e estrela do nosso primeiro evento, o Frontiers, cujo êxito celebramos nas fotos abaixo. Que 2020 seja o ano em que o leão Brasil passará a escrever mais incisivamente sua história 4.0.
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