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A iniciativa de empreendedorismo que apoiou mulheres e reduziu desigualdades

Ao ajudar vítimas de acidentes com escalpelamento, projeto do Unops, MPT e Instituto Gloria transformou vida mulheres e famílias no Norte do Brasil por meio do empreendedorismo feminino

Claudia Valenzuela e Cristina Castro-Lucas
25 de junho de 2024
6 min de leitura
A iniciativa de empreendedorismo que apoiou mulheres e reduziu desigualdades

“No Brasil, onde o contingente de mulheres empreendedoras ultrapassa a marca de 30 milhões de pessoas, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), esta força de trabalho representa uma esperança para que as famílias possam ter o mínimo de sustentabilidade financeira, principalmente neste contexto de recuperação econômica após o auge da pandemia de covid-19.

A partir dessa conjuntura, surgiu o projeto “Empoderamento Econômico de Mulheres Vítimas de Acidentes com Escalpelamento no Norte do Brasil”, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).

A iniciativa concretizou-se na realização de um curso focado no apoio à geração de renda por meio do empreendedorismo, fortalecendo as competências socioemocionais e técnicas das participantes. Trabalhar com essa população significa atuar no combate a múltiplas desigualdades inter-relacionadas: localidade, raça, gênero, situação financeira, infraestrutura, dentre outros.

A partir da abordagem da gestão pública justa e equitativa, o UNOPS contribui com a efetividade de políticas, com a ampliação do acesso à justiça e com a promoção da integridade. O empoderamento econômico quebra as barreiras e as limitações individuais, permitindo o acesso direto ao trabalho decente.

De modo geral, são muitas as dificuldades. A começar pelas informações referentes a este grupo. Dados e estimativas inexatas sobre o número de vítimas, bem como sobre onde estão e a situação de vulnerabilidade real, muitas vezes, as deixam invisíveis às políticas públicas tradicionais.

Pesquisa e diagnóstico

Para iniciar nossa proposta, devido à escassez de dados sistematizados sobre as mulheres vítimas de acidentes por escalpelamento, tivemos a participação do Instituto Glória na elaboração de amplo diagnóstico para compreender a melhor estratégia de projeto.

O perfil das mulheres que participaram do diagnóstico nos deu uma percepção inicial da situação. De um total de 100 mulheres mapeadas, 42 participaram do diagnóstico. Da amostra, quase 80% têm entre 18 e 45 anos, majoritariamente pardas (68%), alfabetizadas (92%), das quais 61% possuem escolaridade entre ensino médio e graduação. A maior parte vive nos estados do Pará e do Amapá (há casos relatados no Amazonas), sendo que mais de 70% não vivem em zona urbana.

A renda média per capita das famílias, considerada pelos índices estabelecidos para o Brasil pelo Banco Mundial como abaixo da linha da pobreza, é de R$ 456,80. Sabe-se que os casos registrados de acidentes têm como principais vítimas as meninas, que sofrem o acidente antes dos 18 anos. Para 45% das respondentes, os acidentes ocorreram em embarcações artesanais e 60% das embarcações são familiares.

Devido às consequências físicas e emocionais causadas pelo acidente, a maioria das vítimas de escalpelamento têm dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Por exemplo, a pesquisa revelou que as dores de cabeça e a exposição ao calor e ao sol correspondem às maiores sequelas para 53,19% das entrevistadas.

Contudo, a partir de um estudo inicial realizado pelo MPT, sabia-se que as mulheres tinham interesse em empreender. Desse modo, criamos o curso com o objetivo de desenvolver atividades que fomentam o empoderamento pessoal e econômico.

Empreendedorismo feminino

O processo de formação foi conduzido em parceria com a Rede Mulher Empreendedora e executado online, por WhatsApp, devido às restrições de conectividade (internet) e tempo disponível para atividades síncronas ou presenciais (impedidas pela pandemia). A metodologia criada especialmente para essas mulheres foi fundamental: simples, acessível e flexível (horários, linguagem, entre outros). Respeitamos as limitações físicas e do dia a dia das mulheres para que elas pudessem chegar ao final do curso.

As limitações de infraestrutura (acesso à internet, celular ou energia) impactaram sobremaneira e geraram ausências ou desistências. Ao todo, 24 mulheres terminaram o processo. “O curso resgatou minha força de transformar sonhos em realidade…”, disse uma participante. São sonhos que saem do papel: venda de joias, processamento de açaí, fotografia, roupas e outros mais. São oportunidades ofertadas àquelas mulheres isoladas no Norte, distantes de soluções que possam transformar suas realidades.

Resultados

Apesar das dificuldades e do número reduzido de alunas que terminaram a formação, a iniciativa foi bem-sucedida em vários aspectos. Primeiramente, para trazer dados sistematizados, o que nos permite iniciar uma base sobre os acidentes e sobre as vítimas. Conhecer as vítimas, as situações do acidente, as necessidades individuais e familiares, nos permite criar outras iniciativas de fomento a atividades econômicas e oportunidades de geração de renda. E o mais importante: hoje essas mulheres estão ligadas em rede autônoma de apoio mútuo.

Com altos índices de desemprego e economia instável, o empreendedorismo feminino torna-se uma estratégia importante para o desenvolvimento econômico no País, e é uma luz no caminho dessas mulheres. Todavia, não podemos deixar de mirar na redução de outras desigualdades, cuja solução pode estar em nossas mãos: ampliar a conectividade das regiões remotas no Brasil; criar redes de atendimento médico e psicológico para as vítimas; ampliar as redes de apoio (organizações sociais ou grupos de pares); ampliar campanhas de conscientização e redução de riscos de acidente; dentre outras ações.

Em um país tão continental e variado, sempre há necessidade de lançar novos olhares para velhas desigualdades.

Este artigo compõe uma série de outras publicações que serão divulgadas no site e nas redes sociais da MIT Sloan Review Brasil ao longo deste mês, até dezembro, em celebração ao Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, celebrado em 19 de novembro e Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, que será celebrado no próximo dia 25. O primeiro artigo da série destacou o trabalho de cinco empreendedoras brasileiras de destaque no setor de tecnologia.“”

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Claudia Valenzuela e Cristina Castro-Lucas
Claudia Valenzuela é diretora e representante do UNOPS no Brasil. Cristina Castro-Lucas é fundadora e CEO do Instituto Gloria.

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