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A Petrobras e a supremacia do acionista

O propósito de qualquer empresa em gerar lucro para o acionista não faz sentido quando é um monopólio controlado pelo governo, como a Petrobras

Thomas Eckschmidt
25 de junho de 2024
5 min de leitura
A Petrobras e a supremacia do acionista

Sou do tempo da Petrobras quando o lema era “O desafio é a nossa energia” – uma época em que a empresa corria atrás da tal autossuficiência na produção de petróleo. Trabalhamos muito e a nossa querida Petrobras produz tanto quanto consumimos. Chegamos lá.

Mas há um porém. Infelizmente, o produto produzido no Brasil não é o mesmo que consumimos e por isso precisamos fazer um escambo, exportar o nosso e importar um outro.

No século passado, a Petrobras era um exemplo de monopólio de governo, não precisava se ater à “supremacia dos acionistas” pregada por Milton Friedman. O célebre termo cunhado pelo Nobel de Economia, de que o propósito de qualquer empresa era gerar lucro para o acionista, não faz sentido quando a sua empresa é um monopólio e é controlada pelo governo.

O mercado de exploração de petróleo no Brasil mudou no fim do século passado. Depois de mais de 40 anos de monopólio da exploração, produção, refino e transporte do petróleo no Brasil, a Petrobras passou a competir com outras empresas estrangeiras e nacionais em 1997.

Na virada do século, a mudança de mentalidade vinha dos sinais da evidente falência do socialismo, que ficou marcada no fatídico dia 9 de novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim. No início dos anos 2000, começaram a surgir várias publicações sobre como reimaginar, repensar e reinventar o capitalismo. Em seguida, surgiram movimentos como Sistema B (B Corp), capitalismo consciente, economia circular, economia do compartilhamento, entre muitas outras ideias, para tentar recuperar o capitalismo – que também estava a caminho da falência.

O controle por parte do governo não ajudou a Petrobras e deixou a empresa sujeita aos caprichos dos egos e interesses particulares de liderança políticas. Depois da grave crise de corrupção que assolou a sua credibilidade, ela entrou em fase de recuperação de sua reputação, ou melhor, da nossa reputação, orgulho nacional. Mas isso aconteceu a favor dos acionistas em detrimento a todo o ecossistema ao qual a Petrobras serve.

Tudo pelos e para os acionistas

Para ilustrar o que significa essa supremacia dos acionistas, a cada vez que ocorre uma desvalorização cambial, ou uma apreciação do preço do petróleo internacional, a diretoria da Petrobras lança aumentos de preços dos combustíveis, o que afeta quase todos os setores econômicos.

Aparentemente deixando claro que a Petrobras não pode deixar de satisfazer os interesses dos acionistas, a atualização do preço pela subida do dólar ou do barril de petróleo precisa ser repassada imediatamente ao preço do produto. Mas não ocorre muito alarde quando a cotação do dólar cai, como ocorreu nos últimos tempos.

Em 2018 vimos o que pode acontecer quando os preços sobem automaticamente com a alta do dólar e dos preços internacionais do petróleo – e como isso impactou todo um país e seus mais de 210 milhões de habitantes. Errar é humano, repetir é burrice. Será que não existe uma forma mais consciente de fazer negócio? Será que a Petrobras não reconhece o seu impacto e a sua responsabilidade? A pergunta que paira é: O que poderíamos ter feito de diferente para manter o interesse de todos os stakeholders em foco, e não apenas dos shareholders (acionistas)?

Isso não é uma ideia de hoje ou de ontem. Gerar valor para todos os envolvidos (stakeholders) é reconhecer a interdependência do mundo dos negócios. Pensando de forma sistêmica, começamos a criar um capitalismo mais consciente, mais responsável, um capitalismo de stakeholders. O que a Petrobras poderia ter feito diferente?

As possibilidades da Petrobras

Sei que isso requer ajustes no estatuto da empresa, mas a Petrobras poderia adotar uma política de média móvel da variação cambial e do preço-base do petróleo internacional para o cálculo de preços para o mercado interno em reais. O que significa isso: em vez de usar a cotação diária do preço do petróleo e da cotação do dólar, que tem alta volatilidade, poderíamos usar o preço médio da cotação do dólar e do preço do petróleo nos últimos três ou seis meses.

Isso faria com que o valor do combustível para os brasileiros subisse de forma mais lenta, sem grandes saltos. Mas aí vem a pergunta: “Se não sobe tão rápido, o acionista estará perdendo?” Não, pois como não sobe tão rápido, da mesma forma não desce tão rápido, o que significa que o acionista recebe o mesmo valor, só que com um certo atraso.

Nesse momento a economia já apresenta sinais de melhoria e a baixa dos preços dos combustíveis no mercado interno poderia contribuir com o seu fortalecimento. Conforme a atividade econômica melhora, existe espaço para baixa de preços dos combustíveis.

Assim, criando um modelo de precificação, podemos tornar a nossa Petrobras ainda mais forte e mais conectada com todos nós, brasileiros. Isso geraria valor sistêmico, em vez de apenas focar no resultado financeiro de curto prazo para os acionistas.

Certamente essa não é a única ideia, mas pode ser um primeiro passo para atualizar a forma com que a Petrobras atua, e que possa gerar melhores resultados para todos envolvidos: clientes, fornecedores, funcionários, comunidades do entorno e meio ambiente – sem deixar os acionistas de fora. Um capitalismo mais consciente, em que todos podem ganhar.”

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Thomas Eckschmidt
Cofundador e ex-diretor geral do movimento do capitalismo consciente no Brasil, Thomas Eckschmidt é autor de _Conscious Capitalism Field Guide_ e outros livros práticos para implementar os fundamentos de um capitalismo mais consciente. É ainda cofundador e CEO da Conscious Business Journey, uma rede de consultores com o propósito de acelerar a transformação para um ecossistema de negócios conscientes e atua como conselheiro em diversas empresas.Em seu site www.CBActivator.cc, Thomas disponibiliza um e-book sobre como ativar a consciência da sua organização. Ele encabeça o podcast Capitalista.Consciente, encontrado nos principais tocadores.

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